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Nos bastidores das cerimônias, muita dedicação e disciplina
 Quem participa das cerimônias do templo da Nichiren Shoshu já conhece a organização de cada um dos eventos, resultado da dedicação dos adeptos. As flores artificiais de cerejeira que embelezaram o Oeshiki, por exemplo, foram confeccionadas por um grupo de cerca de 30 pessoas, entre homens e mulheres. Todos os anos, esses adeptos de São Paulo e do interior paulista fazem questão de ajudar na decoração do evento.
"É muito gratificante fazer essas flores. É uma homenagem ao Buda. Há alguns não-praticantes que ajudam na confecção das flores. Em muitos casos, esse é o início de muitos nesta doutrina", explica a coordenadora do grupo, Lourdes dos Santos Alcalde. Ela conta que o trabalho, iniciado em meados de junho, é feito em etapas.
Primeiro, é feita a colheita dos bambus que servirão como hastes das flores. Os bambus são medidos, cortados e lixados. Esse trabalho é feito pelos homens do grupo. Enquanto isso, as senhoras fazem o corte do material, tecido ou papel, para iniciar a confecção das flores. Cada galho recebe cinco flores. Neste ano, foram confeccionadas 800 varetas de bambus e 4 mil flores de tecido. "Todo mundo gosta de fazer as flores porque é uma homenagem ao Buda", dizem os adeptos Luciano Martinoni, 17, e Alexandro Santos, 31. "Tudo o que fazemos aqui é para servir ao Buda", conclui José Cosentini, adepto da doutrina há 23 anos.
Outro grupo, o Seiri, formado por cerca de 25 mulheres, é o responsável pela recepção e ajustes necessários durante as cerimônias. É fácil identificar as integrantes. Basta prestar atenção no uniforme sempre bem alinhado e na flor cor-de-rosa em destaque nas camisas brancas. Pedidos de informações e assistência são encaminhados a estas senhoras sempre sorridentes e prontas a auxiliar. "Além do nosso trabalho durante as cerimônias, nos reunimos uma vez ao mês para discutir sobre as melhorias que devem ser feitas nos eventos para atender melhor aos adeptos", conta Marina Kamata, responsável pelo grupo. Adepta da doutrina desde criança, Marina viveu um momento único em abril deste ano. Ela foi ao Japão participar da Cerimônia de Aeração dos Tesouros Sagrados no Templo Principal, conhecida como Mushibarai. "É uma cerimônia linda que só acontece no Taisekiji porque é lá que estão todas as escrituras originais", conta.
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